[para Nydia Bonetti]
asas
que falar desse olhar
por sobre a pedra
luz
onde o ar se rarefaz
música
dê meu nome ao vento vivo
que uiva
onde o abismo se desfaz...
21 de Julho de 2009
"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
[para Nydia Bonetti]
asas
que falar desse olhar
por sobre a pedra
luz
onde o ar se rarefaz
música
dê meu nome ao vento vivo
que uiva
onde o abismo se desfaz...
21 de Julho de 2009
SOBREVIVÊNCIA
Vem ouvir
vem tranquilo
entender o que direi
vou contar-te um segredo
e fazer
conjecturas.
Eu vi muralhas e fossos
eram altas e profundos
como dunas
e vazios siderais.
Nada tenho comigo
nem ventania nem ódio
não convivi
no Olimpo
com deuses e mitos
conheço algumas idéias
persegui a ciência
de revistas e jornais.
Sei que o tempo não perdoa
e passam as águas dos
rios
vem o inverno a primavera e o verão
fica o outono perdido entre
folhas
na terra amarelas do que se perdeu
do esforço de viver.
Se
pergunto ninguém responde
a resposta ultrapassa a compreensão
porque está
aquém dos homens
e certamente
nada deve aos deuses.
Vi muralhas no
caminho
tão altas
e tão sólidas
que naturalmente suportariam eras
glaciais
e temperaturas infernais
pedra sobre pedra.
Desci fossos
profundos
muito mais que o entendimento do mundo
despedi-me de todos
no
escuro desconhecido da vida
e percebi
que profundezas e alturas nada
dizem.
Sei que não canto nesta tentativa de poema
nenhuma razão
mas o
sem razão
e por isso regresso ao princípio para corrigir-me:
vem
intranquilo
porque de tanto viver desentendi os segredos
e abandonei
conjecturas
mas
sobrevivi ao poema.
Londres, maio de
2008.
2 comentários:
Flávio!
Só ví agora... Como você não me avisa? Dedicado a mim, este poema tão intenso e ao mesmo tempo tão doce, me emocionou, sabia? Gosto realmente muito da sua poesia.
Ando numa correria total no trabalho e só agora voltei a reler aos poucos os blogs e me deparo com este abismo que se desfaz... tão lindo. :) Obrigada, um beijo.
o poema é o pássaro atormentado
a voar em espaços
que torna meus. Bj
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